O painel “A Indústria no Futuro do RS: Segurança Energética e Tecnologias para a Competitividade”, mediado por Marjorie Kauffmann, diretora‑superintendente do Sebrae RS, foi apresentado na 35ª Mercopar em Caxias do Sul. Participaram Douglas Becker (gerente‑executivo Comercial da Sulgás), Caroline Bücker (diretora de inteligência e estratégia da Invest RS) e Osmar de Souza (gerente regional de vendas da Siemens).
Os painelistas enfatizaram que o Rio Grande do Sul dispõe de uma matriz 85% renovável e citam resiliência operacional demonstrada em crises, lembrando que o fornecimento de gás natural pela rede permaneceu sem interrupções durante a enchente de 2024, segundo dados apresentados pela Sulgás.
A Invest RS apontou a existência de uma carteira de R$ 40 bilhões em projetos — incluindo gás, biocombustíveis, biometano, eólica onshore e offshore e hidrogênio verde — e ressaltou que a principal barreira para a atração de investimentos é a decisão de mercado: “a infraestrutura e a viabilidade já existem, agora precisamos fazer o mercado comprar”, disse a diretora de inteligência.
Sobre biometano, a Sulgás explicou que o produto é, do ponto de vista do consumidor, equivalente ao gás natural e promove sequestro de carbono; a companhia apresentou o Biohub, mecanismo que permite aos produtores injetarem biometano na rede canalizada e equilibrar excedentes e escassez, com 15% do gás natural veicular já atendendo frotas pesadas.
A Siemens abordou como a tecnologia converte disponibilidade de infraestrutura em decisão de fábrica: simulações e gêmeos digitais ajudam a comparar fontes antes de investir; manutenção preditiva e acesso remoto aumentam disponibilidade; e a digitalização permite quantificar a pegada de carbono do produto final, criando vantagem competitiva no mercado.
Os debatedores concluíram que o principal gargalo não é a geração, mas a articulação entre indústria, poder público, concessionárias e agentes financeiros, além da necessidade de inventários de emissões mais ágeis e de mudança de mindset empresarial para planejamento de longo prazo e escala de produção de fontes renováveis.
