Pesquisadores da área de envelhecimento afirmam que a vantagem da expectativa de vida entre mulheres e homens vem acompanhada de um detalhe pouco discutido: grande parte dos anos extras que as mulheres vivem costuma ser vivida com doenças crônicas e limitações físicas, e não em plena saúde. Isso traz preocupação sobre a qualidade de vida na velhice, não apenas sobre o número de anos vividos.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, fatores hormonais, biológicos e comportamentais ajudam a explicar por que o corpo feminino resiste por mais tempo, mas também influenciam a maior frequência de condições associadas ao envelhecimento feminino, como osteoporose e doenças autoimunes, especialmente após a menopausa.

O foco das pesquisas sérias sobre envelhecimento, dizem os especialistas, não é simplesmente aumentar a duração da vida, mas ampliar o período em que a pessoa permanece saudável — conceito conhecido como expectativa de saúde. Estudos citados indicam que em alguns contextos a expectativa de vida aumentou enquanto a expectativa de vida saudável diminuiu, evidenciando esse descompasso.

Os pesquisadores alertam ainda para a circulação de informações sem base científica sobre tratamentos e suplementos antienvelhecimento e recomendam cautela: orientam priorizar intervenções comprovadas que previnam doenças crônicas e o acompanhamento de sinais concretos do corpo ao longo dos anos, além de basear decisões em pesquisa publicada e verificável.