Uma moradora de Júlio de Castilhos, de 44 anos, foi absolvida no Rio Grande do Sul um ano após ter sido presa por suspeita de tráfico de drogas. A decisão judicial foi divulgada na quarta‑feira (14). Ela havia sido mantida presa preventivamente no Presídio Regional de Santa Maria entre 23 de setembro e 2 de outubro de 2025.

Segundo a defesa, a prisão ocorreu quando a mulher recebeu em casa uma encomenda dos Correios que continha cerca de 3 quilos de maconha. Em depoimento citado pela defesa, o filho dela teria afirmado à polícia, no mesmo dia, que a encomenda era destinada a ele e que a mãe desconhecia o conteúdo do pacote.

Dois dias após a detenção, a Justiça determinou a soltura com uso de tornozeleira eletrônica. Ainda assim, a mulher permaneceu presa por mais oito dias, porque a penitenciária teria cumprido a decisão com atraso. Em nota anterior aos autos, a Polícia Penal admitiu "equívoco no nosso protocolo de recebimento e processamento da decisão, o que culminou com o cumprimento em atraso da decisão judicial".

A Polícia Penal do Rio Grande do Sul informou que o caso está sendo apurado pela Corregedoria‑Geral da PPRS e que, por se tratar de procedimento em andamento, não divulgará outros detalhes. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul afirmou que "não se manifesta em questões jurisdicionais".

O advogado Gustavo Locateli, que defende a mulher, disse que a absolvição "coloca um ponto final em um processo recheado de falhas por parte dos agentes estatais" e que a defesa segue com processo contra o Estado pedindo indenização de cerca de R$ 150 mil por danos morais devido ao tempo que a cliente ficou presa indevidamente.