O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) investiga a denúncia de que pessoas em situação de vulnerabilidade social foram transportadas de São José dos Pinhais (PR) para Joinville (SC) e deixadas na cidade sem destino definido ou acesso à rede de acolhimento. A apuração inclui o depoimento de servidores públicos envolvidos e a análise de registros sobre o transporte.

Segundo a Prefeitura de Joinville, a van ligada ao município paranaense foi identificada pela primeira vez em 1º de julho e voltou a ser vista em 6 de outubro, quando guardas municipais encontraram motorista e assistente social que se apresentaram como servidores de São José dos Pinhais. Na ocasião, o grupo desembarcado era composto por um brasileiro, um dominicano e venezuelanos; os servidores paranaenses afirmaram que o transporte se deu em razão de promessas de emprego em Joinville.

O MPSC verificou indícios de situações anteriores semelhantes e informou que as informações coletadas serão encaminhadas ao Ministério Público do Paraná para análise. A investigação também apurou que parte das pessoas havia sido atraída por promessas de oportunidades de trabalho em instituições já investigadas por suspeita de exploração irregular de mão de obra, circunstância que, em tese, pode configurar infrações de natureza criminal.

A Prefeitura de São José dos Pinhais divulgou nota informando que, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, está apurando o caso “a fim de esclarecer as circunstâncias em que a situação ocorreu” e que procedimentos técnicos e registro das ações são observados quando há encaminhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade a outros municípios. Em Joinville, a Guarda Municipal encaminhou o motorista e a assistente social para prestar esclarecimentos ao MPSC e a Secretaria de Assistência ofereceu atendimento às pessoas abordadas, que em parte recusaram o acolhimento.