A aposentada Eva Maria Farias Morando passa a noite em uma barraca montada perto da própria casa em Uruguaiana, acompanhada por uma das filhas e cinco netos, depois que a cheia do Rio Uruguai atingiu a residência da família. "Hoje mesmo de manhã eu fui lá ver minha casa, me deu pena", diz Eva, que prefere permanecer na barraca pela privacidade e pela proximidade do imóvel afetado.

A reportagem registra que a água alcançou quase um metro de profundidade na casa da família de Eva e que outras pessoas da cidade também passaram a instalar barracas nas imediações das moradias para reorganizar a rotina enquanto aguardam a redução do nível das águas. Outra moradora, Rosa Maria Minho Viana, relatou que montou sua própria barraca e vive no local com o filho durante a cheia.

Há registro de famílias que deixaram completamente as proximidades das residências e foram para abrigos: a família de Rosicler Soares da Silva está em abrigo desde 6 de outubro, com o casal e três filhas — as gêmeas Julia e Maria Antônia, de três meses, nasceram prematuras. Segundo a reportagem, quase 500 pessoas estão fora de casa na Fronteira Oeste por causa das cheias.

O Rio Uruguai em Uruguaiana está 1,30 metro acima da cota de inundação, e o Serviço Geológico do Brasil informou que o nível deve continuar subindo nas próximas horas em São Borja, Itaqui e Uruguaiana. O alerta vermelho da Defesa Civil estadual para inundações na região segue até terça‑feira (13), conforme as informações divulgadas à imprensa.