Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal em 30 de setembro e afirmou não haver a existência de grupos organizados para intimidar adversários nem um plano de fuga, segundo a defesa. A oitiva focou investigações sobre expressões encontradas nas mensagens — como “A Turma” e “Os Meninos” — que a PF apura como potenciais referências a estruturas destinadas à obtenção de informações e a ações contra pessoas apontadas como adversárias.
Os advogados de Vorcaro disseram que as expressões não identificavam grupos específicos e que o empresário mantinha um contrato formal de prestação de serviços de inteligência e segurança digital. A defesa negou ocorrência de atos de violência ou intimidação e afirmou que a viagem atribuída a um suposto plano de fuga havia sido comunicada e documentada com reservas e registros de agenda.
Mensagens extraídas do celular do ex-controlador do Banco Master, apreendido pela PF, mostram contatos mantidos entre 2023 e 2025 com diversas figuras públicas. Entre os interlocutores identificados no material — cuja divulgação ocorreu enquanto o depoimento era tomado — estão o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o ministro Alexandre Padilha, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e o apresentador Luciano Huck. A reportagem ressalta que as conversas, isoladamente, não comprovam irregularidades.
O conteúdo divulgado inclui mensagens que evidenciam relação de proximidade entre Vorcaro e Hugo Motta, pedidos relacionados a ingressos e registros de negócios. Também há diálogos que indicam participação de Alexandre Padilha em jantar na residência de Vorcaro, em Brasília, em outubro de 2024, encontro que não constou na agenda oficial do ministro. A assessoria de Padilha afirmou que ele participou de reuniões regulares com representantes de diferentes setores e que não houve desdobramentos sobre o jantar.
O material apreendido traz ainda referência a uma operação de crédito concedida pelo Banco Master no valor de pelo menos R$ 22 milhões a empresa ligada à cunhada de Motta para aquisição de um terreno em João Pessoa, na Paraíba. A existência de encontros e conversas passa a ser analisada no conjunto das apurações sobre Vorcaro e o Banco Master; as autoridades ainda investigam as suspeitas apontadas nas mensagens.
Vorcaro está preso preventivamente desde março, em medida cautelar decretada no curso das investigações; a prisão não representa condenação. A apuração sobre as eventuais estruturas mencionadas nas mensagens segue sob responsabilidade da Polícia Federal.



