O tratamento da obesidade em pessoas idosas precisa considerar, além do peso na balança, a composição corporal, a saúde cardiovascular e a capacidade para executar atividades diárias, afirmam a endocrinologista Morgana Ciambelli e a cardiologista Lenita Vieira Braga, do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis.
As médicas destacam que, com o envelhecimento, a perda de massa e força muscular pode ocorrer junto com o excesso de gordura — quadro conhecido como obesidade sarcopênica — que compromete mobilidade, autonomia e aumenta risco de quedas e fraturas. Por isso, recomendam avaliar também massa e função muscular, conforme consenso de sociedades europeias citadas pelas profissionais.
Ciambelli alerta que planos que visam apenas redução de peso, especialmente dietas muito restritivas feitas sem orientação, podem provocar deficiências nutricionais e agravar a perda de massa magra. A orientação indicada é individualizar o tratamento e levar em conta doenças associadas, como diabetes e hipertensão.
Quanto à atividade física, a cardiologista Lenita Braga recomenda avaliação prévia das condições clínicas, limitações articulares e fatores de risco antes de iniciar ou retomar exercícios. O acompanhamento orienta a progressão do treino e a combinação de exercícios aeróbicos com atividades de fortalecimento; para maiores de 65 anos, a OMS também indica treinamento de força e de equilíbrio conforme condições individuais.
As especialistas chamam atenção para a gordura abdominal, que associa-se a alterações metabólicas — resistência à insulina, pressão arterial elevada e alterações no colesterol — e pode elevar a sobrecarga cardiovascular ao longo do tempo. Elas defendem acompanhamento multiprofissional para conciliar redução de gordura com preservação da força, mobilidade e independência do idoso.
O objetivo do tratamento, segundo as médicas, deve considerar a saúde e a capacidade funcional do idoso, e não apenas a redução no número da balança, priorizando intervenções que preservem massa magra e funcionalidade.
