Reeleito no domingo, Lula deverá instituir um novo núcleo de poder na primeira linha do governo e reformular a equipe econômica, segundo relatos de interlocutores citados pela reportagem. A intenção é deslocar parte da coordenação política que trabalhou no atual mandato e profissionalizar a chamada "cozinha do governo", com ministros que despacham do Palácio do Planalto tendo papel ampliado na formulação e execução de políticas.

Entre os nomes mencionados para liderar a Esplanada está o ex‑ministro da Educação Camilo Santana (PT), cotado para a Casa Civil como coordenador da Esplanada dos Ministérios. Fernando Haddad (PT) segue próximo ao presidente, mas perdeu força como favorito à Casa Civil após a disputa pelo governo de São Paulo. Aliados também citaram Bruno Moretti, atual ministro do Planejamento, como integrante do novo centro de poder.

Na área econômica, a avaliação de aliados é de que Lula buscará um nome de perfil reconhecido no mercado para o Ministério da Fazenda; Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho do Bradesco, foi citado na reportagem como referência de perfil desejado. A busca por uma equipe mais "robusta" tem como pano de fundo a pressão por redução de gastos e contenção da dívida pública, o que limita espaço para novos programas.

A nova gestão projeta ainda iniciativas políticas e institucionais: está prevista uma ofensiva para retomar controle sobre as emendas parlamentares, que o presidente definiu como "sequestro do Orçamento" pelo Congresso, e há proposta do Executivo para destinar parte das emendas ao custeio de gratuidade no transporte urbano. A convivência com um Congresso mais favorável ao bolsonarismo deve tornar essas negociações centrais e difíceis.

No campo do Judiciário e da segurança, aliados apontam para a possibilidade de reforma do Judiciário, com medidas como fixação de mandatos para tribunais e criação de conselho para indicações, impulsionadas pelo desgaste sofrido pelo STF após o escândalo do banco Master. Também está no radar o desmembramento do Ministério da Justiça para criação de um Ministério da Segurança Pública, ação condicionada à aprovação de emenda constitucional.

A transição também deverá priorizar profissionalizar a gestão do Palácio do Planalto, com a contratação de secretários e pessoal técnico para organizar agendas e relações entre ministérios. O afastamento do ex‑chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro e episódios relacionados a investigações de tráfico de influência motivaram, segundo a reportagem, a busca por maior profissionalização da equipe presidencial.