O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu, nesta segunda-feira (19), enviar a julgamento pelo Tribunal do Júri um homem acusado de matar a ex‑companheira desaparecida em Bugre há mais de 13 anos. A decisão ocorreu após recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que contestou uma decisão de primeira instância que havia impedido o prosseguimento do júri.

Segundo a denúncia do MPMG, a mulher, então com 23 anos, saiu no dia 6 de dezembro de 2012 para encontrar o ex‑companheiro e nunca mais foi vista; o corpo não foi localizado. O Ministério Público relata histórico de agressões, ameaças e conflitos relacionados à guarda do filho e ao pagamento de pensão alimentícia durante o relacionamento.

O órgão acusatório afirmou ter reunido provas indiretas que, na avaliação dos desembargadores, ultrapassam a condição de mera suspeita e são aptas a demonstrar, de forma indireta, a ocorrência de homicídio e a possível participação do acusado, conforme o entendimento aplicado pelo TJMG ao acolher o recurso.

As apurações reuniram, entre outros elementos, prontuário médico com registros das lesões sofridas meses antes do desaparecimento, relatos de agressões e ameaças e depoimento de testemunha que esteve com a vítima pouco antes do encontro combinado com o acusado. O promotor responsável informou que ainda há questões não esclarecidas, como local e modo de execução do crime.

O homem nunca foi preso e responde ao processo em liberdade. Não há data marcada para o julgamento; o Ministério Público informou que espera a realização do júri em 2027 e que existe inquérito complementar para aprofundar a apuração e investigar a possível participação de outras pessoas.