Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro avaliaram internamente que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) passou a ser um dos responsáveis pelo desempenho negativo do candidato em Minas Gerais e no Nordeste, informou o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, conforme reportagem reproduzida pelo Jornal de Brasília.

A expectativa da campanha era aproveitar a popularidade de Nikolas para conquistar votos nessas regiões; segundo a reportagem, essa avaliação mudou após o desempenho nas urnas e diante da repercussão de conteúdos produzidos pelo parlamentar.

O ponto central citado pela matéria foi o vídeo intitulado "O Nordeste que foi esquecido", divulgado por Nikolas na terça‑feira (20). Na gravação, moradores de Luís Eduardo Magalhães (BA) relatam dificuldades financeiras e de acesso a serviços, com o objetivo de criticar o governo federal. Imagens dos bastidores, porém, mostraram membros da produção orientando enquadramentos e comentando sobre a expressão de entrevistados, o que gerou críticas à montagem.

Além disso, o vídeo perdeu o áudio no Instagram por causa de uma reivindicação de direitos autorais envolvendo a música Grão de Areia, de Rubel com Xande de Pilares; Nikolas classificou a medida como censura. Segundo a GloboNews, a avaliação interna da campanha foi de que o material, que havia sido pensado como instrumento de ataque a Lula, acabou contribuindo para prejudicar o próprio candidato.

A reportagem ressalta que se trata de uma avaliação atribuída a integrantes da coordenação de Flávio Bolsonaro e não de uma comprovação de que o deputado tenha determinado o resultado das urnas. A mudança de percepção aponta para um reposicionamento interno sobre o papel de aliados na estratégia eleitoral nas regiões mencionadas.