A Polícia Federal prendeu, na manhã de quinta‑feira (15), o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) — segundo mais votado nas eleições no Rio de Janeiro e ex‑prefeito de Belford Roxo — durante a Operação Unha e Carne 8. A corporação informou que a ação tem por objetivo desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro.

Além de Canella, os agentes prenderam o delegado Marcus Amim, ex‑secretário estadual de Polícia Civil. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado conta com a participação de agentes públicos e articulação político‑institucional; os investigados são alvo de apuração por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel.

As prisões e buscas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e representam um desdobramento da investigação Unha e Carne, iniciada em dezembro de 2025. Nesta etapa foram expedidos seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, com diligências em municípios do estado.

A investigação já havia realizado fases anteriores na apuração sobre 96 postos de combustíveis no Grande Rio que, segundo a PF, movimentaram R$ 7,6 bilhões em seis anos em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Em julho, Canella e Amim foram alvos de buscas; em 7 de julho Canella chegou a ser preso após a polícia encontrar um fuzil em seu carro, episódio que gerou fases subsequentes da operação.

As defesas de Márcio Canella e de Marcus Amim informaram que não vão se pronunciar até terem acesso aos autos. A TV Globo, citada pela cobertura da ação, tenta contato com os demais investigados. A PF divulgou os locais onde foram cumpridos mandados, entre eles cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.