Bruno Stefani, consultor e ex-diretor global de inovação da AB InBev, apresentou na quinta-feira (22/10) no Palco Conhecimento da Mercopar a tese de que inovar começa por identificar e resolver o problema do cliente. A palestra foi realizada durante a Mercopar, promovida pelo Sebrae RS e pelo Sistema FIERGS, no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS).
Stefani usou a metáfora histórica da charrete e do automóvel para ilustrar que, enquanto fabricantes tentavam melhorar o produto existente, novas soluções disruptivas transformaram o mercado. Ele afirmou que inovação está ao alcance de empresas tradicionais e citou transformações em que negócios deixaram de ser apenas fornecedores de produtos para se tornarem ecossistemas de plataformas.
Como exemplo estratégico, mencionou a Caterpillar, que migrou parte do crescimento para serviços — reunindo dados de máquinas, revendas e clientes para oferecer gestão de frotas e manutenção preditiva — com a meta de dobrar receita de serviços entre 2016 e 2026. Stefani ressaltou que organizar dados é condição prévia para que inteligência artificial seja útil ao negócio.
Também trouxe casos da própria Ambev, com o Zé Delivery aproximando a indústria do consumidor final e transformando canais de venda, e exemplos de empresas que se reorganizaram internamente, como a Haier, citada por sua estrutura em microempresas autônomas. Segundo ele, o importante é entender que concorrente é quem resolve o mesmo problema de forma completamente diferente.
Para ilustrar a velocidade da mudança tecnológica, Stefani comparou serviços de táxi, Uber e a Waymo (veículos autônomos) em São Francisco, e citou a pesquisadora Carlota Pérez para afirmar que a revolução da IA ainda estaria em estágio inicial. A conclusão da palestra foi um apelo para que empresas fiquem mais focadas no futuro do que presas ao passado.
