A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema FAEP) divulgou posicionamento depois da confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e cobrou que o governo federal trate com urgência as demandas do agronegócio paranaense e nacional, afetado por desastres climáticos, custos elevados e problemas operacionais. A entidade afirmou que está à disposição para dialogar e levar suas pautas ao Executivo.

O texto da FAEP lembra a importância econômica do setor local: dados do IBGE citados pela matéria apontam que o Paraná figura em quarto lugar entre as unidades da federação em Valor da Produção Agrícola, com R$ 87,7 bilhões em 2025, e que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do estado alcançou R$ 213 bilhões no mesmo ano, o maior montante já registrado para o Paraná, segundo Seab/Deral.

Além dos números, a Federação alertou para o aumento da inadimplência entre produtores: levantamento da Serasa Experian mencionado no conteúdo indica 8,8% de inadimplência no primeiro trimestre de 2026 para produtores rurais brasileiros, o maior patamar da série, o que motivou apelos por políticas de repactuação e equalização de juros.

Em documento elaborado durante o período eleitoral com 163 sindicatos rurais, o Sistema FAEP reuniu proposições divididas em 15 pautas técnicas e 7 eixos jurídicos. Entre as principais pautas técnicas estão a estruturação de política permanente para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e para o Plano Safra, mecanismos de repactuação do endividamento, estímulo à indústria nacional de fertilizantes para reduzir dependência externa e ampliação de infraestrutura e conectividade no meio rural.

Outros pontos técnicos defendidos pela entidade incluem ação diplomática para abrir e diversificar mercados, fim do contingenciamento em órgãos de fiscalização, revisão do Imposto Territorial Rural (ITR) para evitar distorções e políticas de segurança e educação rural, com patrulhamento e atualização de currículos voltados à agricultura de precisão e automação.

No campo jurídico, a FAEP propõe construção de marco legal para evitar limitações administrativas sem compensação, revisão de embargos coletivos, apoio a regras que permitam contratação temporária na safra sem perda de benefícios sociais (Lei dos Safristas), manutenção de neutralidade tributária na transição ao novo IBS/CBS e inclusão de salvaguardas ao agronegócio na revisão do Código Civil e na Política Nacional de Bem‑Estar Animal. A Federação dos Trabalhadores Rurais (FETAEP) também se manifestou, parabenizando a chapa eleita e defendendo a continuidade de programas voltados à agricultura familiar.