As taxas de abstenção e de votos inválidos no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, registraram queda em relação ao primeiro turno e chegaram aos menores níveis desde 2002, ano de universalização da urna eletrônica. O número total de abstenção foi de 30,4 milhões, enquanto 128,1 milhões de eleitores compareceram às urnas.

Com 99,9% das urnas apuradas, a abstenção no segundo turno ficou em 19,21%, ante 21,08% registrado no primeiro turno — recuo de cerca de 1,8 ponto percentual. Os votos nulos e brancos, que não entram no cálculo dos votos válidos, somaram 3,24%, o menor índice já observado nos dois turnos das eleições presidenciais neste século.

O segundo turno atraiu 3 milhões de pessoas que não haviam votado na primeira etapa. Na apuração nacional citada pela fonte, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 51,78% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro (PL) 48,22%, resultado que consagrou Lula com mandato reeleito.

Autoridades e campanhas apontaram problemas na oferta de transporte público que dificultaram o acesso de eleitores a seções eleitorais. O setor de inteligência do Ministério da Justiça identificou ocorrências em municípios da Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro; em Salvador a Justiça eleitoral determinou a prisão do secretário de Mobilidade, segundo a cobertura.

Diante das restrições de circulação, a coligação do candidato do PT pediu ampliação do horário de votação e o ministro Cristiano Zanin, do STF, e depois o presidente do TSE acataram pedidos ampliando o prazo em todo o país até as 19h. As decisões foram expedidas muito perto das 17h e diversas seções já haviam fechado as urnas eletrônicas, o que inviabilizou a inclusão de novos votos em muitos locais.

Em termos regionais, dois estados do Nordeste registraram as maiores quedas de abstenção: Bahia (-3,2 pontos porcentuais, de 19,9% para 16,7%) e Pernambuco (-2,9 pontos, de 18,1% para 15,9%). São Paulo teve a terceira maior redução (‑2,7 pontos, de 22,5% para 19,8%). No Norte, Amapá (alta de 8 pontos), Roraima (6) e Acre (5,6) registraram aumentos da abstenção. No total, a abstenção caiu em 18 estados e subiu em 9.